Resenhas da Baixada – A crente do koo quente ou A 171 de Deus

Com as costas da mão que Jesus perdoa!

Fico incrível com a capacidade do “cerumano” em criar histórias. Isso só ratifica minha idéia sobre a presença da arte em qualquer parte do planeta. Aqui na Baixada não seria diferente, néam?

Então, eu e o marido estamos trabalhando numa pousada. Bicho pegando porque é final de ano, e claro, um entra e sai de gente. TODO tipo de gente! De gente que presta a gente que se presta a papéis nada convencionais. Mas não estou aqui pra julgamentos, apenas para observações e compartilhamento. Right?

Preciso dizer que por aqui, o número de 13 é grande, mas BEEEM grande mesmo! Nessas, a gente vai conhecendo e aprendendo a lidar, numa puta boa. Pelo menos eu sempre fui assim. Só não bato palma pra louco, como um dia ouvi da amiga “lancenética” Patrícia Esteves. Salve Paty!

Bão, aí me aparece uma mina por aqui. Queria porque queria um quarto. Porque veio tentar a vida em Santos, porque é professora, porque queria um lugar só até o dia 3 de janeiro e bla bla bla.

Argumento fail #1 —> Emprego de professora dia 24 de dezembro??? Ahãm!

Percebo, entretanto, que a mina é um pouquinho problemática “dasidéia”, sacumé? Pára de falar no meio da frase, como se tivesse esquecido do que falava, diz uma coisa e daqui dois minutos a idéia é outra….enfim. Penso “mais uma 13 no local. Estamos acostumados“.

A colega chega. Passo a bola pra ela. A mina se instala. O que ouço de conversa dela é “você é evangélico??? nossa! eu também sou! fui sim, batizada “naságua”…sou uma mulher de Deus

É aí que a porquinha torce o rabo, gente! Marido tá fazendo manutenção na pousada e a mulher, “a de Deus”, parece não enxergar a aliança em sua mão esquerda e TUDO pede pra ele. E aí ELE me conta que a 13 o chama e vai fechando a porta do quarto. Ele abre e sai fora. A mina de Deus é uma cilada, Bino!

Eu já estou com a crente pelas tampas e ela consegue ir além de qualquer expectativa de safadeza, fora, claro, dar em cima do marido alheio.

Aí a tarde ela rompe pela recepção com dois caras. Entram na pousada e pouco tempo depois os dois caras saem. Um diz no rádio “ae, o peixão não tá“.

Terror e pânico at the beach! Começam as confabulações. O patrão já fica sabendo. Telefonemas e pescoçadas no comportamento da dita cuja. Chama prasidéia, nêgo véio!

E assim se fez a tremedeira e a gagueira repentina…

Enquadro

Ô fulana, dá pra você vir conversar na recepção um momentinho?

Não, é que sã-são do-dois moooradores de ru-rua….(as mãos tremem)…e-eles vieram me a-ajudar com o co-colchão queeee eu comprei…

Momento olhar profundo de 10 segundos apertando os olhos
Interrompo

Nossa, moradores de rua? Com rádio? Morar na rua tá sendo um bom negócio, né? Bão, o fato é que não pode trazer ninguém pra cá. Você entrou com dois sujeitos estranhos e colocou em risco a segurança de todos. Só queremos pedir que isso não se repita, okay?

A mina, visivelmente abalada, pede desculpas, promete mudar o comportamento e sai.

Muda, numas, né? Ela continua abordando o maridão e eu sigo imaginando a cabeça dela devidamente cimentada com a parede. O sangue tá subindo, a paciência, proporcionalmente, cai.

A mina espera uma brecha pra ir pedir qualquer coisa pro marido. Todo mundo tá vendo e eu me sinto na obrigação de batizar a 171 de Deus, mais uma de tantas crentes dos koos quentes, com as costas da minha mão.

Que Deus me perdoe, sinceramente, mas “mulher de Deus”? Burn, Lord! Burn!!! Alguém avisa pra ela que meu marido não é Jesus, pufavô! E o demônio não quer segurar esse B.O. não!

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Resenhas da Baixada – Descendo quadrado no domingão

Muitas vezes, apesar de virar no Jiraya e sentir uma vontade incontrolável de afundar algumas cabeças em paredes chapiscadas, agradeço a Deus por me dar a oportunidade de viver determinadas coisas. Saca aquele lance de “obrigada por me mostrar como não fazer/ser”? Pois é!

O fato é que eu e o marido chegamos em Santos dispostos a meter as caras. Nos estabelecer na base da luta e honestidade. Força pra isso nós temos. E temos também uma dose generosa de olhos observadores, como comentei no post anterior.

Descolamos por aqui, um trampo, daqueles que você abraça numa temporada até encontrar algo que realmente valha a pena. Posso dizer que estou batalhando outras coisas enquanto vejo a bagunça do lugar onde estamos instalados temporariamente. E na sincera, gente, NO WAY dar o sangue aqui.

Pousada coisa phynna!

Bão, e aí que tem os farofas, né? A galera que aluga busão e desce a serra pra tirar onda no mar já que na capital as opções são parcas e porcas. E eles chegam cedo. Na pousada (?) rola reserva para este “Turismo de 1 Dia”. Um luxo! Demos a sorte de, após 10 meses sem conseguir dormir depois das seis da manhã, sermos acordados com a chegada da trupe da farinha com frango com macarrão e salada de maionese.

Segue o diálogo >>>>

“Ae mano chegamo aqui na Baixada, tá da hora! Mó sol, mano!” alguém responde algo que só ele pode ouvir, certamente estava no celular
“É, pode crê, tomar umas, tirar uma chinfra (chinfra é expressão das antrola, hein?), mas ainda to na pousada….(pausa dramática) peraí mano…guentae…ISSAQUI É O QUE??? Voz de mulher: “É a pousada”
“O QUE????”
A mulher novamente: “A pousada”
O sono já tinha ido pras picas. Já estávamos de pé no domingão cedo e o mau humor não teve espaço. Esse cara foi o responsável por quase me fazer mijar nas calças.
Continua >>>
“CÊ TÁ LOOOCO!” CÊ TÁ DE BRINCADEIRA!”
volta pro celular “Mano, os caras tão falando que isso aqui é uma pousada, mas tão de tiração…qué isso??? Ow, to querendo mijar e a mina tá cagando.”
Abrimos a porta pra poder ver o que pegava e TCHARAM! Era gente pá caraio! E todos com razão. Capivara é mato. Sacumé?

Buuut, é o que temos pra hoje e se parei de beber tem mais de um ano, cabe olhar pro momento com olhos mais condescendentes. E ao invés de dar um belo trago pra ajudar a encarar a pousada (Oi?), o melhor é pedir paciência pro Papai Noel. Este sim será meu presente de Natal.

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Resenhas da Baixada – De mula a piriguete

E aí que final de ano é uma loucura, né xenti? Sacumé…as festas, o calor, a praia, uma pá de gente solteira só querendo gandaiar e pá…e eu e o marido só na “urubuservância” dos fatos.

A malemolência litorânea toma conta do corpo, mas nunca dos olhos e dos ouvidos, ainda mais tendo como pano de fundo, uma pousada. Aquela em que o povo chega procurando um cantinho pra se jogar, jogar água no corpo, arrastar as “menininhas desavisadas”, jogar o BO pra fora, jogar as crianças e poder colar no quiósque lotado, enfim.

****O guia das mulas das galáxias****
Estou eu, panguando na recepção, tentando acessar a internet e escuto muito mal o marido falando “é mula…é mula…é mula” e levanto a cabeça rapidamente pra tentar entender a mensagem.
Uma mulher pede permissão para a amiga que passa mal, usar o banheiro. A amiga convalescente (?) parece uma índia. Junto com elas, dois africanos, a julgar pela língua enrolada. Pagariam pelo banho (?) da adoentada. Oi?
E o mantra do maridão prosseguia “é mula…é mula…é mula”. Sigo eu na tentativa frustrada de acessar a internet.
<Meia hora depois>
Desce a índia, segurando uma toalha rosa tal qual Ford Perfect e com um cheiro de desodorante barato muito forte. Sorria e agarrava a toalha, que se não estivesse pesada de molhada, é o indício de que o final de ano da turma do nariz nervoso vai arrebentar.
Saíram todos e eu fiquei imaginando que parada de louco deve ser engolir uma cota de droga pra conseguir entrar em um país pro tráfico. Sem julgamento, mas sei lá…senti um negócio muito ruim. Cada um com seu cada um e nessas, cada um sabe onde aperta o calo e o que é preciso ser feito pra desapertar, certo?

Eu? JA-MAIS! Mas nem a pau! Correr o risco de ficar trancada uma cota ou morrer se uma porcaria de uma cápsula estoura dentro de mim? Qué isso??? Nemfu! Que se lasque a toalhinha!

****Vai descendo, vai descendo, otário****
Essa resenhinha tem que vir acompanhada de um desses funks maldito e proibidão. Dá o play na bagaça aí pra se ambientar. (não espere que eu vincule isso no meu blog, é só pegar no vocêtuba…fácil!)

Domingo a noite. Ta quente. A avenida tá bem movimentada. Dois cabras entram na pousada. <mumúriobêbado>quantutaadiaria? masépraficarsóatéumasseisdamanhã<mumúriobêbado>
Valores passados, dinheiro trocado de mão, chaves dos quartos entregues e aí…vejo as companhias dos cabras…
Não vou comentar sobre umas delas. Minhas observações ficam sobre uma só. A que começou a transitar de toalha pela pousada e toda as vezes que passava pela recepção, olhava pro meu lado e pro lado do maridão.
Well…quem me conhece, sabe…
Comecei a imaginar sua cabeça grudada na minha mão, atravessando a parede. Depois das minhas olhadas profundas de dois segundos, a piriguete resolveu se “vestir”, chamou a “prima” e deram um pelézão nos dois pobres bêbados.
Dou uma cochilada, o suficiente pra ter pesadelos com a biscate. Levanto e vou conferir se está tudo em ordem na recepção. Maridão tá firme e forte, e a piriguete se livra do meu sonho em afundar sua cabeça na parede, se tornar realidade.
Palpite pro jogo do bicho: Vaca na cabeça!

E isso é só o começo do Verão!

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Chutando cachorro morto

Peraí, xô contar pra vocês qual foi a dos últimos 10 meses. Eu e o marido trampamos feito dois burros de carga pra uma tal protetora de animais e tomamos um bonde espetacular! Entre calúnias, assédio moral, descumprimento de lei trabalhista e choradeira de miséria ad infinitum, cuidamos de uns 50 dogs 24 horas por dia, 7 dias por semana, 30 ou 31 dias por mês e SEM DIREITO A DESCANSO SEMANAL!

Olha que beleza! Quando fui solicitar o nosso direito ao descanso, o que ouvi foi o seguinte disparate: “Eu avisei que vocês não tirariam folga antes de UM ANO!”

Bão, minha gente…nenhum cerumano com o juízo perfeito aceitaria ou até mesmo diria tal insanidade, diz ae?

Pensa numa felicidade quando você acha que vai receber no mínimo o justo por seu trabalho e o que você escuta, são coisas como: “Vai procurar um advogado”, “Você nem trabalhava no canil” e outras merdas que só saem da boca de gente vigarista? Pensa…

Pensou? So…

Então, o sentimento de raiva é tão grande, que não cabe dentro da gente. É muito comum as pessoas abusarem do “direito” de afirmar A e depois dizer que falou Z. É muito mais comum do que se imagina, pessoas abusarem das necessidades alheias. É muito fora do comum, para mim, aceitar que eu, trabalhadora honesta, tenha este tipo de tratamento profissional.

Tá certo que trabalho escravo por aqui não é novidade, basta se informar um cadin pra ver a quantidade de pessoas submetidas à condições de trabalho degradantes. Não era bem o nosso caso, mas o fato de não poder deixar o local de trabalho/moradia para ter um final de semana de descanso, longe de latidos e brigas entre cães, longe dos uivos que aconteciam diariamente entre meia noite e cinco da manhã, nos deixava quase que numa prisão. Nada certo, correto?!

Reclamei da folga, virei empecilho. Reclamei do salário em dia, virei empecilho. Me transformei no tipo de funcionário que “não veste a camisa”. Clichê demais, né não?

Insalubridade? Rá! Imagina! Longe da gente. Meu marido foi mordido três vezes. Não houve um sinal de preocupação. Não houve uma ajuda, rigorosamente NADA! Fora acúmulo de função.

Enfim, foram tantas as infrações, tantas injúrias e tanto nervoso, que chutamos o cachorro morto. Sim, porque aquele trabalho, com aquelas pessoas, carecia apenas da pá de cal.

Agora cá estamos em Santos. Trabalhando, com nosso dia de folga rigorosamente cumprido, vida nova começando, a praia logo ali pra desopilança do final de tarde e o xadrezinho com o maridão, as filhas por perto e outras coisas boas que virão neste ano de 2014. Sim, coisa boa vindo! Porque nada pode ser pior do que ter sua inteligência subestimada, seus direitos trabalhistas tolhidos e ser tratado pior que cachorro abandonado.

E daqui por diante, nada de história ruim. Com o trabalho na pousada, tenho material humano aos montes pra trabalhar e o Medo e Delírio pode continuar seu caminho. Bora que vamos! Mas não sem antes dar aquela vomitada básica!

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Vai que ela é louca ou Mulheres que se amarram em homens comprometidos

Faltava pouco para as oito da noite e eu aguardava o namorado na porta do Sesc como combinado. Rolava uma garoinha chata, então resolvi entrar e ficar sentada vendo o povo se matar na hidroginástica.

Oito horas e não oito e um, disse ele.

Okay, babe. Lá estarei.

Enquanto aguardo, uma mulher se aproxima. O celular. Não lembro se tocou ou se ela discou, e isso nem me chamou a atenção. O fato de ela soltar uns gritinhos exclamados, sim.  Aliás, foi o link para atualizar este bloguezinho meia boca com mais algumas considerações sobre o comportamento do nosso querido e estimado “cerumano”.

Bora lá!

Enquanto ajeito a bunda no banco duro, escuto

Não, me conta, ela mandou mensagem ou email? Hum…sei….ela disse isso? AH! (gritinho exclamado)…e aí? ….Hum…você respondeu? Ah amor! Devia ter respondido! Ah, sei lá amor…se você nem teve nada com ela e ela ficou desse jeito, imagina se tivesse acontecido alguma coisa?

Me reviro no banco. Finjo estar com o pensamento longe e brinco com o chaveiro. Penso… Obrigada amor por se atrasar e me proporcionar a chance de ouvir conversa tão interessante.

Segue a resenha…

Mas e se ela te seguir? E se ela descobrir onde a gente mora? Ah amor, sei lá né? Vai que ela é louca? Uma dessas mulheres que encanam com um cara e começam a perseguir ele, a família…

E eu pensando… Ah tá…ela ta falando com o marido, que contou pra ela que tem uma talzinha na bota dele e ele tá dispensando….sei….sei….

E mentalizava… prossiga criatura, prossiga!

Sucesso! Ela não me deixou na mão! Recheou minha tão ocupada mente de bobagenzinhas boas de se pensar.

Onde ela mora?

Prestenção! Você tem certeza disso?

E eu pensava… Mas ele sabe onde ela mora???

Em Moema? Mora em Moema e não tem dinheiro pra pagar uma cirurgia? Ah amor, ela deve estar pensando que acertou na loteria….hahahahahaha…Ah! (gritinho exclamado) vou precisar andar do seu lado com uma peixeira, amor? E as crianças Ricardo? Nossa, to com medo!

E eu confabulando comigo…Ricardo??? Ah não! É resenha perfeita demais! Obrigada meu amor por se atrasar! 

O link que eu precisava! Obrigada! E digo isso porque tenho visto algumas manifestações femininas que me dão no saco que eu não tenho. É! Defendo as mulheres e quem me conhece sabe, mas tem umazinhas por aí que, como diria o Velho Hunter, POR CRISTO!

Tem mulher e homem pra todos os gostos e isso é mais do que sabido. Mas tem bicho mais “fura zóio” que mulher? Manolas, entendam de uma vez por todas: É MUITO feio ficar atrás de homem comprometido. É feio! Ponto! E mulher que abraça homem infiel, é estúpida. Sim, estúpida. Como eu sempre digo, ignorância a gente perdoa, estupidez, NÃO!

E mina que fica criando perfil fake pra bisbilhotar a vida de cara comprometido? Aí toma block e tenta chegar no perfil da namorada do cara? Não, me diz? É ou não é coisa de gente extremamente burra?

Tá, vou pegar leve, apesar de ter abandonado o espírito Luluzinha Paz e Amor…ficar na bota de homem comprometido é passar declaração de incompetência e desespero. Tá xéto?

Tomou pé na bunda? Bola pra frente, meu povo! A pessoa é comprometida? Quer mesmo se envolver? Então segura a peruca pras consequências inevitáveis deste ato. Simples assim!

De minha parte, gosto de exclusividade na mesma medida em que sou exclusiva da pessoa com quem estou. De minha parte, ODEIO mina sem noção que sabe que o cara tá comprometido e fica de caôzinho sem vergonha. De minha parte, recomendo parcimônia na aproximação, porque a frase “vai que ela é louca?”, no meu caso, tem um sentido bem diferente.

E pra terminar, direitos iguais é uma coisa, bancar a vagaba é outra.

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A breja nossa de cada noite ou um bom lugar pra expurgar

Quando leio por aí que a classe média brasileira abriu as portas para mais cidadãos, tenho vontade de vomitar. E não que isso seja reflexo de alguma night regada a brejas das mais variadas graduações alcoolicas.

Sim, enquanto pesquisas encomendadas “revelam” que milhares de brasileiros saíram de suas condições de pobreza para adentrar a “nobre” classe C, me deparo com pessoas que assumem dívidas quase seculares para entupir as ruas com mais carros, compram smartphones para não andar com um celular mequetrefe por aí e pagam horrores de juros nos parcelamentos e nos cartões de crédito. Nova classe média…pfffff…

E é por essas e por outras que de umas semanas pra cá tenho mantido minha cabeça enterrada e a boca bem fechada. É fácil ser desagradável em momentos como este.

Mas São Paulo, minha Sampa caótica, sempre reserva alguns momentos de desopilação para os espíritos mais inquietos. Para esta trabalhadora desempregada do Brasil, significou dar um rolê até a Leste para tentar sangrar um pouco com os riscos do Karooba, meu tatuador há mais de 20 anos, e aproveitar para ajudar com o evento de blues acústico armado há algumas semanas.

Se tivemos alguns dias de um calor de rachar côco, é meio óbvio que o tempo mudaria justamente no dia em que algo interessante aconteceria. Quase não saio de casa, mas Tio Karooba não me deixa manter o espírito de porco e me telefona “Tia, vem logo pra cá. Estamos te esperando”.

Corro até a estação da CPTM. O bom e velho róquenrôu nos ouvidos tratando de dar a ligada neste cérebro cansado. Não estou afins de observar “cerumano” algum e saco das Notas de Um Velho Safado. Bukowski é mais apropriado nessas horas. Estação Pinheiros. Interligação com a Linha Amarela, aquela a quem vivo mandando um Salve generoso porque economiza no mínimo duas horas do rolê até o Tatuapé.

Mas desta vez, na sincera, a Linha Amarela me decepcionou. Para chegar até o embarque, é preciso descer vários metros. É quase uma descida ao inferno. Não à toa, durante a construção da Estação Pinheiros, tudo desabou matando alguns seres, engolindo até caminhões. Um “show de horrô” tomado como fatalidade por alguns e como incompetência por vários outros. Anfã! O fato é que as escadas rolantes da estação não estavam funcionando e milhares e milhares de pessoas tiveram que se exercitar sem o menor tesão. Bitchô, isso não é legal!

Sem alcance da rádio, mando Beatles e seu White Album e sigo com o velho Buk. Pinheiros > República > Tatuapé. Subo a Tuiutí e pronto. Tio Marcelo me recebe como sempre, num carinho só. Bora ajudar nos preparativos para a recepção do pessoal. Não, não será possível terminar meu catitão, então passemos mais uns dias sem sangrar as semanas do meu melhor modo avestruz.

A noite cai. A Isidro Tinoco começa a receber um movimento diferente. As geladeiras começam a ser abertas, a sede começa a ser eliminada e o blues acústico está perto de começar.

Tia, abre a geladeira e pega uma breja agora!

Opa! Como não??

As amigas chegaram.

Cheers! Um brinde à alta graduação alcoolica! 

Rola um som. A calçada está cheia assim como o bar. Converso com um, converso com outra, conheço mais gente e aquele bode é chutado pra longe por algumas horas. Risadas…

Hora de voltar pra casa. Zona Sul, meu lugar, meu lar. Aquele do qual quero me ver livre por alguns dias. As mesmas almas, os mesmos rostos, a mesma breja popular. A sexta se apresenta, mas eu me escondo. Não, não quero nada.

O sábado e a minha cama, o  meu filme e o domingo de feijoada logo alí.

Quero a zona leste. Quero a breja do tio. Quero os ares renovados e a distância da mesmice, da falácia, das máscaras. Quero expurgar com sangue e tinta, breja e risos.

Todo rolê será recompensado e atravessar a cidade é um preço muito baixo a se pagar quando chegamos num bom lugar pra desopilar.

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Tio Karooba

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Não tá fácil pra ninguém, nem pra nova classe média

Oi??!!! Diante do título, só me resta esta pergunta cheia de interjeição. Nova classe média..sei sei…vamos aos fatos da nova classe média e da nova classe baixa. Aquelas duas que governo após governo insiste em fazer sumir do mapa de um jeito ou de outro.

Aí eu pego o trem por volta das 11 da matina pra encontrar algumas pessoas na estação Liberdade. Sonha que às 11 da matina o trem tá vazio…sonha? Mas nem ligo, colo no vidro pra ver o movimento da Marginal Pinheiros enquanto o róquenrôu costumeiro preenche o vácuo do meu cérebro.

Tanta coisa pra pensar, tanta coisa pra resolver, tanta coisa pra criar, ter aquela puta ideia que poderia me render sossego financeiro…minhas filhas, meus pais, o trampo com o fut feminino, as colaborações com a France Football, o bar…o bilhar…a breja desopiladora…quem quero pegar e quem não quero mais…estar apaixonada num segundo e no segundo seguinte não estar nem aí…que fase…não tá fácil pra ninguém, diz ae?

Me viro pra ficar perto da porta na estação Pinheiros e aí eu vejo a cena…

Lá vem um homem, mais baixo que eu (sim, é possível!), de bermuda, chinelo, pés sujos e a camiseta erguida. Ele não caminha dentro do vagão, ele rasteja. Ele diz alguma coisa programada, decorada, mas eu não escuto. O som tá alto no ouvido. Aí eu presto atenção no cerumano…olho uma vez….olho pra fora….volto o olhar rapidamente….e ele passa…fico esperando voltar pra confirmar e sim…é isso mesmo!

Manja as bandejas de isopor amarela que servem de embalagem pra produtos nos supermercados e talz? Então, ele tem uma parada daquela na barriga. Dentro da bandeja de isopor, alguma coisa cor de carne (e a Menina Veneno acaba de morrer mordendo a própria língua) envolta num papel filme. Toda a parafernália, presa em sua pança com esparadrapo. E ele mantem a ladainha…sim, ladainha no sentido literal.

Nenhum movimento facial dentro do vagão. A porta abriu, as pessoas desceram e cada um tomou o seu destino. Fiquei pensando…mano, tá fácil pra ninguém, malhuco! não rola nem uma doencinha pra ajudar com a esmola...

Mas uma coisa não se pode negar, brasileiro é criativo bagarai! Vamos combinar, se a nova classe média aumentou seus ítens de consumo (oi???), a nova classe baixa agora tem recursos mais interessantes pra mendigar, diz ai?

É MUITO sucesso essa nova avaliação das classes do Brasil. #sohquenao

<Jump cut de Pinheiros pra Liberdade>

Aguardo as companheiras de trabalho na saída da estação. Um rapaz com uma pá de revista na mão, pique peão de rodeio, tenta laçar as pessoas pra vender as publicações.  Me oferece uma Contigo (oi????) e ouve o básico como resposta. Algo essencial, né? #not Coitado, durante os quinze minutos que fiquei por ali, tudo o que ele ouviu diante do assédio comercial foi “não, obrigado”, “não” ou ainda “vazio”.

É, não tá fácil pra ninguém…

Nem pros gringos….Colou um em mim, pedindo um trocado pra comer…mas porra…a dureza tá cruel. E essa eu nunca tinha visto, na sincera! Chegou perguntando se eu falava inglês e eu disse que entendia, aí ele chorou o constrangimento: Fome. E na mesma medida, o desapontamento, porque julgou que eu tivesse algum realzinho perdido no bolso…ledo engano!

Não tá fácil pra ninguém…diz ae?

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